Um dos pontos que faz Nova Iorque nos envolver, é seu traçado numa superfície totalmente plana. No primeiro dia de viagem, já dá para se sentir um novaiorquino. E isso é fascinante, para qualquer viajante: se sentir integrado ao local – dominá-lo.

Ainda mais que você está numa terra onde se veste um mix de estilos, bem diverso. E boa parte inteligente, se a elegância ficar de lado. O tal traçado é simples e faz com que, além de não se perder, seja fácil chegar ao destino certo e não ser roubado pelo taxista.

Essa é a bula: veja a Ilha de Manhattan, a partir das quatro direções geográficas, e pense que a numeração das ruas sobe do sul para o norte; as avenidas, que cortam a cidade no sentido vertical, aumentam sua numeração do leste para o oeste.

Para visualizar melhor, desenhe um grande ovo. Depois, simbolize nos extremos as quatro direções, risque na horizontal um pouco mais de cem traços de norte para sul, como mencionado. Depois, trace bem no meio do extremo norte ao sul, uma linha.

Bem-vindo: essa seria a sua Quinta Avenida. Dela, risque seis traços verticais para o leste. Faça o mesmo para o oeste. São as avenidas. Por isso você escuta no cinema: “Táxi, me leve na 42 com a 7”. Quer dizer que o lugar está no lado oeste da cidade, já que a Rua 42 vai fazer esquina com a Sétima Avenida, que está depois da Quinta.

A Quinta Avenida é o que divide o leste e o oeste. Treine essa fórmula. Afinal, essa fórmula é básica para conhecer a cidade. Dependendo do trecho desejado, dá para se fazer a pé.

Anexe agora algumas exceções à regra. Ao norte, existe um emaranhado de ruas com nomes próprios, nas áreas de Downtown, Village, Soho e a região de Wall Street. Algumas avenidas também têm nomes próprios, na parte leste (east, em inglês, é bom decorar).

São elas, a partir da Quinta Avenida: Madison (no lugar da Quarta Avenida), Park (substituindo a Terceira) e Lexington (ao invés de Segunda). Todas, aliás, vão ficando mais poderosas, ao ponto que as ruas sobem de norte ao sul.

Do lado oeste, a Avenida Broadway vai mais além: desce para o norte, corta a Quinta Avenida e acaba no lado leste. Quanto à Quinta Avenida, ela acaba onde está o revigorante Central Park. E suas ruas paralelas são chamadas Central Park East (leste) e Central Parl West (quer dizer, o oeste).

Acima do Central Park, bairros como o Harlem – forte na população afro-americana. Que tal desenhar outro ovo?



DOWN, MID E UPTOWN: A IDENTIDADE DAS ÁREAS

Agora que a cidade foi traçada, resta dividir suas áreas e, com certeza, você passa a incorporar o charme novaiorquino. No extremo norte, fica a região de Downtown, com o “Distrito Financeiro” e sua grande rua, a Wall Street.

Nessa região, admirava-se o World Trade Center. Curiosamente, na dia da tragédia, seu vizinho mais procurado ficou imune à destruição. Trata-se da loja de departamentos Century 21. Não é à toa: todas as marcas mais festejadas despejam lá suas roupas, perfumes e artigos para casa, com preços de até menos 50 por cento.

Claro, são artigos de coleções passadas e cosméticos à beira do vencimento, assim como nos outlets fora da cidade. Mas, pela imensidão das instalações e pelo prazer de comprar na cidade, não há como não sair feliz, pois algo vai deixar você encantado e o preço vai ser camarada.

Pode ser um vestido de noite Dior, um terno Armani ou um look transado da Gucci. Ou toda a linha de cosméticos Chanel, ao lado de cuecas e calcinhas Calvin Klein, a preços nunca vistos. Gente poderosa e famosa também vai lá.

E, no 11 de setembro, todo mundo hoje não nega que se lembrou da loja. Seis meses depois do ataque, ela reabriu.

No lado oeste, de um prazeiroso deck, observe a Estátua da Liberdade, a Ilha Ellis (onde fica o belíssimo Museu da Imigração) e o bairro do Brooklyn.

Subindo, ficam as áreas de imigrantes, como Chinatown e Little Italy. A Cannal Street, em Chinatown, é o reino do mercado de luxo falso. Dali, bolsas, relógios e artigos “frios” de grifes invadiram outras cidades.

Em Little Italy, os descendentes de italianos falam alto e, à noite, sorriem nas portas das cantinas, emolduradas por varais de bandeirinhas nas ruas. Do lado leste, estão Tribeca e SoHo. Bairros transados e endereço de celebridades.

Em Tribeca, fixaram casa por exemplo Robert de Niro, Gisele Bündchen e o finado “príncipe” novairquino, John John Kennedy.

SoHo foi, no começo do século, uma região de galpões. Hoje, é um dos bairros mais fashion do planeta, com butiques dos estilistas modernos, restaurantes sempre festejados, as principais galerias de arte da cidade e um desfile de estilo em suas ruas. É lá que fica, por exemplo, a loja mais paparicada da Prada.

Acima, o bairro do Village distribuído em East e West, tendo como cartão-postal um grande arco de onde se vislumbra a frenética Quinta Avenida. O East é o predileto da juventude underground, dos clubes de rock e dos estilistas mais malucos.

O West Village é o bairro dos estudantes, graças à universidade da cidade, da boêmia cultural e de restaurantes bons, charmosos, a preços camaradas.Ainda do lado West, temos o MeatDisctrit e Chelsea – hoje o paraíso urbano gay do planeta. Se, nos anos 70 e 80, o West Village reuniu toda a turma, hoje Chelsea é habitada por garotos musculosos, belos e extremamente animados, nos muitos clubes e bares locais.

Já estamos em direção de Midtown, passando por áreas como Union Square (sua praça reúne, aos sábados, uma feira só de produtos orgânicos) e Garment District. A partir da rua 34, você abraça Midtown.

Na parte oeste, surge a área dos teatros, a megaluminosa Times Square. E, em ambos os lados, o comércio reserva grandes lojas. Os principais museus começam a surgir, assim como o complexo do prédio Rocfeller Center, onde no Natal as pessoas vão patinar. É a região do Empire State, dos grandes hotéis e onde a cidade se impôs.

Ao cruzar a Rua 57 com a Quinta Avenida, você lembrará de Audrey Hepburn em frente à joalheira Tiffany com seu tubinho Givenchy, comendo rosquinha e paquerando os diamantes, como no clássico filme Bonequinha de Luxo.

E seu filho vai ficar louco com a contemporânea loja da Nike, construída como um estádio, vizinha à joalheria. Esse trecho  da Quinta Avenida é delirante, pois lá está tanto a torre dourada de Donald Trump como a loja dos produtos cibernéticos da Apple, com todo o futuro on line que você deseja.

Você está a passos do Central Park. E também das duas áreas mais caras do mundo: Upper East e Upper West Side – enfim, a área alta da cidade, nas cifras de tudo, tanto no leste como no oeste.

O lado leste é mais tradicional, tanto nos moradores como na badalação. É onde a alta sociedade novaiorquina – a mais agitada e consumidora do planeta - mora. Mas, o lado oeste, nos anos 80, reagiu trazendo as novas fortunas.

O frescor do lado oeste é intenso e moderno. Sem esnobismo, e completo para se divertir e morar com estilo. Madonna é uma das que tem seu apartamento com vista para o Central Park.

Passando o Central Park, a partir da Rua 110, chegamos ao que se enquadrou como a periferia da ilha, com negros e latinos. É o extremo sul, com particularidades importantes como a valiosa Universidade Columbus. A partir da Rua 145, a nomenclatura das ruas tem nomes próprios.

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