Após um longo silêncio, desde que iniciou suas tentativas para se livrar da dependência em drogas, Fábio Assunção deu uma entrevista à Patrícia Poeta, neste domingo (13), no Fantástico, da Globo. O ator, afastado da tevê há 10 meses e que estará de volta na próxima minissérie Dalva e Erivelto, entre outras coisas revelou que o processo da droga é muito duro de se livrar e ainda não pode se sentir curado:
“Eu não me sinto completamente curado e não quero me sentir. Porque não posso fingir que essa doença não existe, tenho que ter respeito por esse 'diabinho'. Mas, estou encantado de como a recuperação é uma coisa boa”.
O ator lembrou que as tentativas de cura se iniciaram quando ele terminou a novela Paraíso Tropical, da Globo, e se internou em uma clínica no Arizona (EUA):
“Fiquei lá 40 dias e voltei (ao Brasil), mas as coisas não deram certo. Daí, voltei para lá de novo e fiquei dois meses. Fiquei um tempo bem, até que as coisas não foram bem de novo”, lembrou Fábio, acrescentando que aí iria fazer a novela A Favorita mas, por não se sentir em condições, o papel foi entregue a Murilo Benício.
Em seguida, ele foi escalado para integrar o elenco de Negócio da China, no ano passado, mas seu problema se agravou e teve que abandonar a novela logo no início:
“Fiquei a fim de fazer a novela, mas aí a coisa veio forte e foi muito difícil para mim, me pegou feio e eu dancei”.
Fábio ainda contou ter demorado a assumir que tinha um problema e pedir ajuda:
“Sentia medo de ser julgado, criticado e de ser visto de forma negativa. Mas, quando tive a doença exposta, foi maravilhoso, porque fiquei livre, tirei um peso das costas”.
Fábio sabe que o tratamento é bastante duro e o compara:
“É como atravessar um deserto. É de solidão”...
Após deixar Negócio da China, Fábio ficou cinco meses em uma clínica no interior de São Paulo, sem ter contato com a família ou amigos. Depois, mais um mês, quando pôde receber visitas, inclusive a do filho João, de seis anos.
O ator revelou também que não escondeu do filho que estava fazendo um tratamento, e explicou o motivo da seguinte forma:
“Eu disse a ele que estava indo para a clínica para dormir e acordar na hora certa”.
Sobre a experiência com drogas, ele disse:
“Fui brincar com uma coisa que não tinha dimensão do que era”.
Mas, ele ainda acha que teve sorte:
“Na clínica, conheci pessoas que tiveram sequelas, que se envolveram em acidentes por causa da dependência”.
Ao ser questionado se os amigos sumiram diante de seu drama, o ator disse que sim, mas pôde perceber quem realmente era seu amigo. Ele destacou, em especial, a dedicação da namorada Karina e dos pais:
“Ela não arredou pé um minuto e fiquei mais próximo de meus pais, que me ajudaram muito”.
Hoje, Fábio diz já ter a sensação de vitória, “de poder marcar meus compromissos e cumpri-los. O prazer de estar voltando a trabalhar... Estou muito positivo”.
Para fechar, o ator deixou claro que não pretende mais falar sobre o assunto com a imprensa e espera que seu depoimento sirva de alerta para muita gente que passa pelo mesmo problema.