Deborah Secco diz que se identifica com Bruna Surfistinha

Por: VJ

Foto: Ag.APhotos

23/08/2009 | 11:42

Como O Fuxico já contou, após muitos nomes ventilados para viver a ex-prostituta Bruna Surfistinha no cinema, Deborah Secco, 29 anos, topou fazer o papel no filme O Doce Veneno do Escorpião. O longa é inspirado no livro homônimo de Bruna. Nele, ela conta suas aventuras como adolescente de classe média alta que foge de casa e vira garota de programa. A direção é de Marcus Baldini.

Em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, do Jornal Folha de S. Paulo, Deborah falou de sua nova experiência. Entre outras coisas, revelou ter algo em comum com Surfistinha: ambas foram rejeitadas na infância, mas tiveram força para "ser alguém" e "criar a própria história".

Confira alguns trechos:


“Eu queria que, quando fizesse um filme com uma grande distribuição, uma grande visibilidade - diferente dos que já fiz, que foram totalmente globais, como Casseta & Planeta, Xuxa e tal -, fosse com uma oportunidade de interpretação. Que eu pudesse doar minha vida a ela, à personagem, à criação. A imagem que eu tinha do filme, de fora, antes de conhecê-los (os produtores), era a de que tentavam copiar a Bruna Surfistinha. Quando eu conversei com o Marcus (Baldini, diretor do filme), percebi que a visão dele era parecida com a minha. Era a de fazer a Bruna do filme, e não uma réplica. Essa, com certeza, é uma personagem com diversas curvas que vai ser um grande desafio para mim”.

“Não li (o livro de Surfistinha) e não quero ler. Prefiro ler o roteiro e tê-lo como ponto de criação. Não quero conhecê-la (a Bruna), senão a gente entra na imitação. Ela e o livro vão me trazer uma Bruna diferente daquela que vou ser (no cinema). Se um dia tiver de conhecê-la, que seja depois do filme”.

“A minha história de vida é muito parecida (com a de Surfistinha). Eu era a menina feia da família, a minha irmã era muito mais bonita. Fui rejeitada pelos meninos do colégio, era aquela que sentava na última carteira e ninguém queria. Demorei para dar o meu primeiro beijo. Teve toda essa história de rejeição, que eu acho que a nossa Bruna, a Bruna personagem, tem muito. E uma força que eu também desconhecia, que eu tinha e ela tem. Ou eu não teria chegado aonde cheguei, não teria conseguido, aos oito anos, sair escondida de casa e procurar produtor de elenco para trabalhar. Não teria saído do menos dez e me achar 20. Ela teve uma rejeição igual e uma vontade de ser aceita, de ser alguém, de criar a própria história”.

“Eu morava em Jacarepaguá (zona oeste do Rio) e perto de casa tinha uma agência de publicidade. Andei sozinha até lá e falei que queria ser atriz. Por sorte do destino, enquanto estava lá, uma menina, que ia fazer comercial no dia seguinte, ligou dizendo que não podia, que estava com febre. Liguei pra minha mãe: mãe, eu tô aqui e tenho um comercial para fazer amanhã. Eu já falei que posso. Minha mãe tinha perdido uma filha de cinco anos e sempre foi da teoria: 'Viva o máximo. Se você quer isso, a gente vai. Se você morrer depois de amanhã, não vou ficar com a culpa de que não te deixei ser feliz'!”.

“Eu era a menina da perna fina, cheia de espinha. Meus apelidos eram Pernalonga, Olívia Palito, Chokito. Era aquela que não tinha peito, braço fino. Eu vejo as minhas fotos e falo: era feia que doía”!

“Acho que, se a gente não fizer um filme pornô, que é quando você reproduz efetivamente o sexo... dependendo da iluminação, da forma que vai filmar... o ator não tem que ter essas limitações. Mas, jamais faria um filme pornô”.

“A gente morava em um condomínio e, no caminho para a natação, tinha um ponto onde ficavam os meninos de rua. Eu ia lá, pegava roupas emprestadas, passava carvão na cara. E chorava muito fácil. Quando eu chegava, era uma alegria. Eles diziam: 'Pô, a menina vai conseguir dinheiro pra gente'! Passava alguém e dizia pra minha mãe: 'Sua filha tá lá no sinal pedindo dinheiro'. Ela dizia: "Ah, eu sei. Deixa, daqui a pouco ela volta'!”.



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