Uma parceria inusitada está prestes a ser fechada. No ano em que Mauricio de Sousa festeja 50 anos de carreira, o músico Juca Chaves o convidou para emprestar seus personagens da Turma da Mônica e seu know how para lançar uma escola de teatro para crianças carentes.
Nesta entrevista concedida a O Fuxico, Juca fala desse e de outros projetos profissionais, bem como sobre adoção e diz que o governo não tem interesse em investir em educação.
O Fuxico: Como surgiu a ideia de montar uma escola de teatro para crianças carentes em parceria com o Mauricio de Sousa?
Juca Chaves: Na verdade, eu já iniciei nessa área há algum tempo. Tenho um espaço imenso no Teatro Juca Chaves, em São Paulo, onde passei a oferecer aulas de teatro e espetáculos gratuitos para crianças carentes. Mas, como conheço o Mauricio há mais de 40 anos e adoro o trabalho dele, então o convidei para me ajudar a enriquecer esse projeto social.
OF: E como será o projeto?
JC: Posso dizer que inovador. Mas eu e o Mauricio ainda não sentamos para conversar direito. Ele está atribulado com as comemorações dos 50 anos de carreira. Além disso, quero amadurecer a ideia e receber o aval dele. Gostaria de contar com a Turma da Mônica... Vamos aguardar! Também tenho outros projetos que já estou iniciando.
OF: Pode falar a respeito?
JC: Sim. Conversei com o maestro Júlio Medaglia para montarmos uma orquestra infantil, mas não tenho patrocínio. Preciso comprar muitos instrumentos. Além disso, tenho que contar com o apoio da imprensa.
OF: Mas você sempre foi prestigiado pela imprensa.
JC: Não é bem assim. Trouxe ao meu teatro a maior orquestra infantil de Volta Redonda, que é sensacional, e nenhum veículo apareceu. Parte da imprensa já espera outra queda de avião... Essa última já não tem mais impacto. O público gosta mesmo de tragédia e não de cultura. Fazer o quê?
OF: Pensa em voltar para a tevê?
JC: De jeito nenhum. tevê dá trabalho demais e paga pouco. Meu negócio agora é a internet. Vou lançar na UOL o programa Só Para Inteligentes, que comandava na Bahia. As piadas são ótimas, o papo é de alto nível... Ele pode até não dar muita audiência, mas ninguém vai ter coragem de falar mal. Além do mais, posso colocá-lo no ar, mesmo se estiver de férias com a minha família em outro País.
OF: A adoção de suas filhas Maria Clara e Maria Morena o aproximou ainda mais de questões sociais?
JC: Aumentou meu interesse, sim. Eu e a Yara, minha mulher, fazemos festas de Natal na Bahia para crianças que vão ser adotadas. Certa vez, perguntamos para uma menina o que ela gostaria de ganhar do Papai Noel. E ela disse que queria ter um lar como a Clarinha, minha filha. Choramos muito. Fizemos a nossa parte. Podíamos ter filhos, mas optamos pela adoção. Tem gente que não pode gerar e inventa... Deixa pra lá.
OF: Sua cota de adoção chegou ao fim?
JC: Sim. Tenho 70 anos e não é mais permitido. Mas o triste é que existem mais de um milhão e meio de crianças em adoção, mas simplesmente são ignoradas por nossos políticos, que não fazem anda para mudar essa realidade. O Brasil é fantástico, pena que não investem nas nossas crianças, que são o nosso futuro.