Em Caminho das Índias, novela das nove da Globo, Antonio Calloni está brilhando na pele de um empresário que, apesar de ser mau-caráter, caiu nas graças do público. Também, pudera. Ele é um dos mais engraçados da trama de Glória Perez e, ao lado de Ana Beatriz Nogueira, que faz Ilana, mulher do trambiqueiro, tem sido responsável por cenas impagáveis, como a do casamento de Ravi (Caio Blat) e Camila (Ísis Valverde), no qual cometeu diversas gafes.
Além das gafes, César também é muito lembrado por ser dono de um repertório vasto – e de gosto pra lá de duvidoso – de cantadas. Para quem não se lembra, ele já saiu com algumas dessas ao se deparar com Suellen (Juliana Alves): “Querida, você está esperando o ônibus? Não? É que você está no ponto.”
Até Norminha (Dirá Paes), a mulher que não vale nada, mas todo mundo gosta, teve de aturá-lo com o seguinte xaveco: “O que será que esse bombonzinho está fazendo fora da caixa?”
E em conversa com O Fuxico, o ator contou que são justamente essas doses de humor que redimem César junto ao telespectador.
“Ele é um ser amoral que faz de tudo para se dar bem. É capaz de vender até a mulher, se for possível. Mas o público gosta dele porque o acha engraçado. E isso estava previsto pela Glória. César continua exatamente como no início da novela, sem o menor escrúpulo na hora de tirar vantagens ou livrar a cara do filho (Duda Nagle), que faz coisas erradas. Para isso, até mente para o delegado”, explica Antônio Calloni.
O ator também conta a O Fuxico que o humor é essencial para que o público dê atenção a um assunto muito sério: a educação dos filhos.
“Por incrível que pareça, eu recebo muitos e-mails me parabenizando pelo personagem. As pessoas dizem que estão superfelizes com ele, e muitos contam que, apesar da raiva, que às vezes sentem do César, o acham bacana. Mas o interessante é que o humor chama a atenção para ele e ajuda a discutir o abuso do poder, a falta de ética e a falta de limite na educação do filho. Se não tivesse o humor, as pessoas iriam se afastar do personagem", diz ele.
Ele também explica que, apesar de César ser mostrado em uma novela, o personagem pode ser encontrado nas ruas, aoas montes, todos os dias.
"Tipos assim, como o César, a gente vê todos os dias no noticiário. É o que mais tem. Na classe política, 99% das pessoas são iguais ao César, sendo até simpáticos e sedutores. Mas quero deixar claro que não é só na classe política. De um modo geral, os brasileiros gostam e aturam maus-caracteres como César”, diz o ator.
Mas Antonio Calloni também lembra que faz questão de fazer rir, porém, sem apelar.
“O que não é legal, e o que Glória não faz e eu também não, é aquele humor exagerado, apelativo. Se for um humor escrachado, não é comigo.