O mundo do funk está estarrecido. Um dos maiores produtores de funk do Brasil, Luiz Fernando da Matta, o DJ Marlboro, é réu no processo de número 2008.001.336948-3, que tramita na 21ª Vara Criminal da Capital, sob a acusação de corrupção de menor e atentado violento ao pudor, contra menina de quatro anos.
A família da criança entrou com uma queixa-crime, afirmando que ele e uma namorada, Junia Duarte, abusaram sexualmente de uma criança, várias vezes, em março do ano passado, conforme reportagem veiculada na quarta-feira (27), na Band.
De acordo com informações da emissora, a menina - que mora com a família em Minas Gerais - veio passar uma temporada na casa da madrinha, no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio. Junia é sobrinha do pai da pequena e batizou a criança. Durante os dez dias em que ficou na cidade, a garota teria sido abusada várias vezes.
Segundo o Jornal O Dia, em outubro, a Justiça determinou que a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) fizesse busca e apreensão nas casas de Marlboro e Junia. O caso também está registrado na DPCA, no inquérito 01365/08, de 21 de agosto. Foram recolhidos computadores, já que a criança relatou ter sido fotografada durante as sessões de sexo.
“Ela foi atendida num hospital público para vítimas de violência sexual, aqui em Minas. E contou para a legista, usando bonecos para simulação, o que o Fernando e a Junia fizeram com ela. Eles teriam encostado a mão, a boca e outras coisas”, descreveu a mãe da vítima.
Durante os dias de férias no Rio, a criança teria sido agredida e ameaçada várias vezes. Ela relatou que um dos locais em que sofreu os abusos foi uma ‘casa abandonada’. Curiosamente, Marlboro estaria, na época, construindo uma casa em Mangaratiba, no Rio de Janeiro.
“Amarraram a boca, as mãos, tentaram sufocá-la. Apertavam o pescoço, batiam nela. Ela voltou estranha, mas só me relatou o que havia acontecido no Rio 10 dias depois que voltou de lá. E acabamos ficando prejudicados por esse tempo. No início, ainda havia alguns hematomas no corpo”, afirmou a mãe.
Advogado da família, Alexandre Corrêa diz que não pode revelar detalhes do processo, que corre em segredo de Justiça. Mas, explicou o que o motivou a entrar com a queixa-crime:
“Fui procurado, analisei tudo e vi que havia materialidade e autoria para entrar com o processo”, explicou, confirmando que a menina continua em tratamento psicológico.
O jornal revela que o comportamento da criança mudou, nos dias seguintes às férias. Segundo parentes, ela chegou até a simular fazer sexo durante brincadeiras com amigos.
“Ela gritava ‘mamãe, mamãe!’, mas disse que ninguém ouvia. Minha filha perdeu a infância. O que a gente quer é que ela não perca o resto da vida. Minha filha ficou arredia. O que eu quero é que a pessoa que fez isso com ela seja punida, de forma exemplar. Uma coisa que faço questão de dizer é que eu não preciso de R$ 1 dele para nada. A minha condição financeira é boa e eu só quero a verdade, a justiça”, disse o pai da menina.
A assessoria do DJ emitiu uma nota, declarando que ele é inocente.
“Ele se declara inocente. Os advogados de defesa destacam que a única prova apresentada é frágil e inconsistente. Além disso, até o momento são negativas da autoria e indicam a inocência de Marlboro”, diz a nota.