'Sou a pessoa com câncer mais louca que conheço'

Por: Mirela Luiz

Foto: Reprodução

08/05/2009 | 08:08

Mara Manzan que é conhecida por seu bom humor e otimismo, confessa, em entrevista a O Fuxico, que já teve vontade de desistir, teve momentos de oscilação de suas emoções, mas procura forças em Deus, nos amigos, na carreira e em sua filha, para conseguir superar essa fase tão difícil que tem enfrentado com o câncer de pulmão.

“Sou a pessoa com câncer mais louca que conheço. Já passei por todas as emoções possíveis. Quando fiquei sabendo do câncer e fui para o hospital, fiquei cinco dias dormindo direto, com depressão profunda. Aí, meu médico disse que, ao invés de me levar para a sala de cirurgia, me levaria para a psiquiatria. Depois, tive uma época de um vazio imenso, uma angústia, uma coisa muito estranha. Muitas vezes tive vontade de desistir, logo eu que sou sempre otimista, mas sou humana também”, revela Mara a O Fuxico.

Mara revela ainda que sua filha Tatiane - que, por sinal, agora está muito bem em sua gestação -  já sabia que ela ainda não tinha sido curada do câncer, mas guardou durante um ano, sem contar a ninguém, só para vê-la melhor.

“Minha filha já sabia sobre o meu câncer, mas não me contou, guardou isso durante um ano. Só descobri quando comecei a sentir muitas dores. Ela disse que chorava sozinha, escondido, só para me ver bem, e que teve vontade de contar ao Wolf Maya (diretor da Globo), com quem tenho amizade há mais de 30 anos, e ao Eri Johnson, meu grande amigo, mas não encontrou oportunidade”, conta.

A atriz, que já vinha fazendo sessões de quimioterapia a cada 21 dias, para o câncer no pulmão, descobriu que estava com metástase nas 7ª e 13ª vértebras, após sentir fortes dores e quase ficar sem andar.

“Estava com muita dor e câncer no pulmão não dá dor, segundo me disseram. Fui então ao médico, fiz todos os exames e não deu nada. Deu um nódulo no pulmão, mas não trataram como câncer. Voltei ao Rio e, depois de 21 dias, tive muita dor, não conseguia andar direito e voltei a São Paulo. Depois de repetir alguns exames e fazer outros, deram o diagnóstico da metástase nos ossos. Essa doença é muito traiçoeira, ingrata. Estou assustada, estou com medo, sou humana”, relata.

Mas, com toda a turbulência, Mara procura forças e deixa um recado para quem está passando por um problema igual ao seu.

"Apesar de estar com câncer, estou em pé, estou viva. Peço que Deus me dê dignidade, me conserve trabalhando, até chegar o meu dia final. E quero dizer às pessoas que têm essa doença, que não se condenem. Que tenham fé em Deus, que reajam, porque a doença é ingrata. Mas, a gente pode ter dignidade para enfrentar tudo que vier, basta querer”, encerra.



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