A agenda de Aguinaldo Silva esteve lotada, nas últimas semanas. Além de elaborar seu próximo seriado Cinquentinha - que estreia no próximo semestre, na Globo, protagonizado por Susana Vieira, Renata Sorrah, Marília Gabriela e Marília Pêra -, ele se dedicou à seleção da sua primeira Master Class de roteiro de telenovela. Uma espécie de mutirão para garimpar autores talentosos, dando-lhes uma chace no mercado da tevê.
A idéia de passar seus conhecimentos na criação de folhetins de sucesso surgiu, após receber inúmeros e-mails enviados por estudiosos em roteiro, que não conseguem uma oportunidade no mercado.
Nesta entrevista concedida a O Fuxico, o dramaturgo confessa que selecionar 15 candidados, dos 1.136 inscritos, foi uma tarefa ‘difícil e sofrida’, que até o fez adoecer. Confira.
O Fuxico: Como avalia a qualidade do material enviado? Esperava receber tantos roteiros?
Aguinaldo Silva: Quando dei partida à ideia da Master Class, não imaginava que o resultado seria tão positivo: 1.136 candidatos apareceram, pelo menos 100 de boa qualidade e uns 40 prontos para escrever roteiro. É um número altíssimo.
OF: Então, o que falta no mercado é espaço para absorver talentos?
AS: Sim. Veja só: das 400 cenas que foram pré-selecionadas para a minha leitura, não havia nenhuma que fosse amadorística ou facilmente descartável. Tem muita gente que pode se tornar roteirista de tevê, no Brasil. Mas, falta oportunidade.
OF: Foi difícil selecionar?
AS: Demais. Por mais objetivo que eu tente ser, meus
critérios são sempre pessoais e subjetivos. Além disso,
acho complicado decidir quem é bom ou quem é ruim. Sofri muito e, no final do processo, cheguei a adoecer de tanto estresse.
OF: O que acontecerá com os melhores da lista?
AS: Tudo o que posso prometer, é que eles sairão da Master Class com uma ideia mais clara do que é escrever para a televisão, e de como se pode fazer para tentar chegar lá. É isso que eu vou passar para eles, baseado na minha experiência.
OF: Dos 15 finalistas, apenas três mulheres foram selecionadas. Por que?
AS: É, selecionei poucas mulheres realmente. Em compensação, as três são ótimas e, se fosse uma questão de classificação, ficariam entre os oito primeiros. Depois, na lista de candidatos a uma segunda Master Class, há um número bem maior de mulheres. Não há diferenças de estilo, por conta do sexo, mas sempre digo que as mulheres, por causa de suas ocupações paralelas (cuidar da casa, criar filhos),
têm mais dificuldades para se dedicar a um ofício.
OF: O que mais o agradou nos textos que recebeu?
AS: A criatividade. No meu processo de escolha, foi isso que mais levei em conta. Mesmo que a criatividade acabasse por afastá-los da ideia original da cena, eu preferi escolher os que foram mais criativos.
OF: Você deseja lançar um desses talentos no mercado?
AS: Se surgir entre os meus alunos uma revelação, alguém que possa ser lançado já como novelista, eu me sentirei realizado e farei tudo para ajudá-lo. Insisto: o que me fez embarcar nessa história da Master Class foi, em primeiro lugar, a necessidade de transmitir minha experiência e, em segundo, a vontade de trabalhar menos. Espero que, ao revelar novos talentos, no futuro, eles estejam capacitados a substituir a nós, os velhos autores de novelas.