Antônio Calloni comemora os elogios que tem recebido por conta de seu personagem polêmico, o César da novela Caminho das Índias, da Globo, um vilão e um pai que acoberta todas as atitudes erradas de seu filho Zeca, vivido por Duda Nagle.
Em entrevista a O Fuxico, o ator fala um pouco da polêmica gerada por seu personagem e da felicidade por ele poder tratar de um problema social que tem sido recorrente nas grandes cidades do Brasil: dos pais que não dão limites aos filhos.
O Fuxico - Você imaginava que esse personagem teria tanta notoriedade?
Antônio Calloni - Sempre faço meus trabalhos com total dedicação, prazer e bom humor. Acho que a notoriedade vem daí, juntamente. É claro, com um texto estimulante, uma direção atenta e companheiros que estão disponíveis ao trabalho.
OF - Você acredita que o César já pode ser considerado um personagem marcante em sua carreira?
AC - Costumo dizer que minha santíssima trindade é composta pelo Bartolo do Terra Nostra, o Mohammed do Clone e o Chateaubriand da minissérie Um Só Coração. Espero que o César venha a compor o santíssimo quarteto. O personagem tem tudo para isso.
OF - Como tem sido a receptividade do público com você nas ruas?
AC - As pessoas e a crítica elogiam muito meu trabalho de ator. Recebo e-mails do mundo inteiro, no meu site. É um estímulo muito grande. Procuro retribuir esse imenso carinho com um bom trabalho. Dizem também que estão com muita raiva do personagem, mas isso com um imenso sorriso.
OF - O que as pessoas têm dito a respeito das atitudes do César?
AC - Consideram o César um tremendo canalha. Machista, abusado e usando muito mal o conhecimento que tem das leis. Criticam muito a má educação que ele vem dando ao filho.
OF - Como foi o processo de composição do personagem? Foi difícil?
AC - Infelizmente, é muito fácil encontrar Césares por aí. Minha postura física muda sutilmente, quando faço o César. Ele tem um jeito de andar, de falar e pensar diferente do meu. Mas, nada que é humano me é estranho. É sempre difícil, mas muito prazeroso fazer um bom trabalho.
OF - Como avalia pais como César e Ilana (Ana Beatriz Nogueira)?
AC - É uma pena, mas existem. Acho que até bem piores do que eles. Pessoas que “educam” seus filhos sem afeto (ou com um afeto deturpado), sem companheirismo e sem limites.
OF - Você dá sugestão à Glória Perez para a trama de seu personagem?
AC - Quando tenho alguma ideia, mando um e-mail para a Glória. É bem esporádico. Procuro não passar dos limites, ela já tem muito em que pensar e escrever. E vem fazendo isso muito bem.
OF - Vai haver algum tipo de mudança no caráter do César? AC - Não faço a menor ideia. O futuro a Deus (no caso Glória Perez) pertence. Tenho muita fé na vida real e na fictícia. O melhor irá acontecer.