Autor de A Favorita ouve o público, mas não muda personagens

Por: Bruno Athayde

Foto: Divulgação/TV Globo

06/09/2008 | 17:21

João Emanuel Carneiro continua no ritmo acelerado de produção dos capítulos de A Favorita, novela das nove da Globo, que só termina em fevereiro de 2009.

A trama, que a princípio não tinha atingido os índices de audiência condizentes ao padrão de exigência global, agora se estabiliza na casa dos 40 pontos. Isso ocorreu a partir da virada da trama, na qual a identidade da vilã foi revelada ao público.

Em entrevista a OFuxico, o autor confessou que sempre pensou em Patrícia Pillar e Cláudia Raia para o papel das antagonistas, mas garante que só no decorrer da história no ar decidiu quem seria apontada como a real assassina.

Ele ainda descartou a hipótese de amentar o número de assassinatos na novela, e justificou que a motivação de Flora para as maldades é a inveja. Confira!

O Fuxico - Que avaliação você faz da novela, até o momento?
João Emanuel Carneiro - Sempre confiei muito nesta história, e estou muito satisfeito. Ricardo (Waddington, o diretor) vem fazendo um excelente trabalho, e estou muito feliz com o elenco. Inventei um jogo, no qual convidei o público a participar, e foi muito bom verificar, no decorrer da trama, que cada um tinha uma versão para a história.

OF - Patrícia Pillar e Cláudia Raia sempre foram as suas favoritas, para os papéis?
JEC - Jamais crio os personagens pensando nos atores. Mas, quando comecei a escalação com Ricardo, diretor da novela, achei que seria perfeito ter estas duas excelentes atrizes, e com métodos tão diferentes para compor a história. A idéia foi colocar Flora e Donatela o mais diferentes possível, uma da outra. Se elas fossem parecidas, não teria a menor graça.

OF - Quem o está surpreendendo?
JEC
- Acho que todos estão surpreendendo, positivamente. Sempre soube que tinha um elenco maravilhoso nas mãos, mas acho que todos, sem exceção, estão superando minhas expectativas. Mas, gostaria de ressaltar o trabalho de Gisele Fróes (Lorena, filha de Copola, vivido por Tarcísio Meira). Não a conhecia, foi uma indicação do Ricardo, e estou gostando muito do trabalho dela.

OF - Como você vê a importância de uma grande heroína, numa grande história?
JEC - Acho que heróis são peças fundamentais, num folhetim. Mas, não acho que ainda há espaço para a mocinha que não erra.

OF - A Glória Menezes vai ser pior que a Flora?
JEC - Por que seria? Ela está sendo enganada por Flora...

OF - A Flora será uma serial killer? Você já definiu quantas mortes ainda serão mostradas na novela?
JEC - Flora não é uma serial killer, porque ela não mata sem motivação. Flora sabe muito bem o que quer. Ela odeia Donatela, e deseja tudo que pertence à rival.

OF - O personagem de José Mayer deixará o lado hippie com a volta da mulher, na figura de Donatela?
JEC - Não. Augusto César ama a natureza e, principalmente, o fato de se sentir um ser integrante dela. Mas, posso te adiantar que muitas surpresas estão reservadas para este ex-roqueiro.

OF - A audiência o preocupa?
JEC
- Se dissesse que não levo a audiência em consideração, estaria mentindo, já que creio que a idéia, a brincadeira da novela, é se comunicar com as pessoas. É o que o Bergman dizia para os cineastas iniciantes, que queriam fazer um filme cabeça: 'Você quer fazer uma coisa só para si, pinte um quadro'. Acho que a novela parte dessa vontade que a pessoa tem, de se comunicar e se sentir amplificado.

OF - Como você lida com a opinião do público? Leva em conta a opinião do telespectador, para sua trama?
JEC - Gosto de ouvir o que as pessoas estão falando nas ruas sobre a novela, mas não chego a mudar a essência da história, em função do que ouço. Acho que as opiniões podem ajudar em certos detalhes, a fazer alguns ajustes pontuais, mas nada que mude a cara da novela. Afinal, se a novela fosse uma fórmula, as pessoas venderiam, não é mesmo? (risos)

OF - O que as pessoas podem esperar, nas próximas semanas?
JEC
- Muita ação, com Donatela sofrendo as conseqüências da vida de Diva, e o desenrolar das tramas paralelas.

OF - A revelação da assassina estava planejada?
JEC
- Sim, estava. Sempre disse que não iria dar o veredicto, no final da novela. Só deixei para decidir com a novela no ar, quem seria a mocinha e a vilã.
 
OF - A saída de Juliana Paes não estava prevista. Mas agora, com a morte de Maíra, a novela ganhará algum personagem novo?
JEC - Teremos a chegada da família do Dodi.

OF - Quem é a sua favorita?
JEC
- Ah, diria que esta pergunta é impossível responder! É como se você perguntasse a um pai, qual filho ele prefere.

OF - A idéia da troca de visual foi sua? Donatela, que agora é a vítima, também já não usa mais a maquiagem peculiar de sua personagem.
JEC - Essa é uma decisão do diretor da novela, junto com a equipe de caracterização.

OF - No início, você adotou uma postura de não se divulgar. Isso foi estratégico?
JEC - Não. Adoraria dar o retorno a todos que me procuram, mas escrevo uma novela de 200 capítulos. É um trabalho muito intenso. Nem sempre consigo atender a imprensa, da forma como gostaria.



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