Equipe global faz coletiva sobre o Brazilian Day 2008, no Rio

Por: Flavia Almeida

Foto: Ag.APhotos / J.Junior

19/08/2008 | 10:06

Com superprodução, Brazilian Day em Nova York e no Japão terá muita música e emoção. Se depender da expectativa e da boa vontade dos cantores que se apresentarão nos dois festivais, o evento será um tremendo sucesso, maior ainda que nos anos anteriores.

Uma coletiva de imprensa reuniu, na noite de segunda-feira (18), executivos da Globo e aristas que se apresentarão na festa, na emissora, no Jardim Botânico, zona sul do Rio.

A exemplo do ano passado, a maior festa brasileira realizada no exterior terá duas edições. A primeira será realizada no dia 31 de agosto, na Sexta Avenida, em Nova York, e a segunda, nos dias 6 e 7 de setembro, em Tóquio, no Japão.

Fernanda Lima, uma das apresentadoras do evento, não pôde ir à coletiva, por causa de seus bebês gêmeos.

Os cantores Saulo, da Banda Eva, Lulu Santos e Jorge Benjor, além de Amauri Soares, diretor de Projetos Especiais da TV Globo; André Dias, diretor de Negociação de Novas Mídias; Marcelo Spínola, diretor de Distribuição Internacional; César Lino, diretor de Produção da TV Globo, e João de Matos, organizador do Brazilian Day, contaram em detalhe os preparativos para a festa e mostraram total animação com o evento duplo.

"Levar o show para brasileiros que não podem vir ao Brasil, pessoas que estão em situação irregular, é o nosso principal objetivo. Nosso trabalho visa reforçar o DNA desse brasileiro, que morre de saudade do país. Para os brasileiros que vivem lá, esse não é apenas um show de música. É muito mais do que isso", explicou Amauri Soares.

Este ano, a apresentação do 24º Brazilian Day em Nova York ficará por conta de André Marques e Fernanda Lima. Serginho Groisman fará matérias para o Altas Horas. Os atores Lázaro Ramos, Alinne Moraes e Flávia Alessandra também foram convidados, e ajudarão a matar a saudade dos milhares de brasileiros que assistirão ao show.

Já em Tóquio, Serginho apresentará a 2ª edição da festa, no Parque Yoyogi, enquanto André Marques gravará matérias para o Vídeo Show. Lá, se apresentarão Jorge Benjor e Olodum, além de ser montada uma feira com produtos brasileiros.

"Tem até caldo de cana", destacou João Matos, idealizador do evento.

André Dias explicou o critério de escolha dos artistas que participam da festa.

"A direção artística indica quais os artistas que gostaria de ter no evento. Daí, é feita uma pesquisa para saber quem o brasileiro que vive lá fora quer assistir. Há muito tempo, Lulu Santos, Jorge Benjor e Saulo estavam na fila de espera. Este ano, conseguimos conciliar as agendas", disse André.

Atração do primeiro Brasilian Day, realizado em 1992, Lulu Santos está ansioso pela volta.

"Fui o primeiro artista importado. Esse evento é importante para quem está exilado. Todo mundo sabe que o ilegal se torna um cidadão de segunda classe. E a festa é realizada num dia de feriado nacional. O sentimento, a nacionalidade ficam exacerbados. O evento é para isso. A festa saiu da Little Brasil e foi para a Avenida das Américas", disse Lulu, referindo-se ao início da comemoração, que era feita na Rua 46, conhecida como Little Brasil, e agora ocupa cerca de 10 ruas, ao longo da Sexta Avenida.

O cantor, que já foi 18 vezes a Nova York,  ressaltou a pluralidade étnica da cidade.

"Lembro que, quando participei, estava na fase do impeachmant de Collor. Os brasileiros exilados também queriam se expressar, pintar o rosto de preto. É interessante observar como o povo de Nova York é aberto, cosmopolita. É uma cidade que permite a pluralidade étnica. Lá, todo mundo tem sua festa, o Dia da Itália, o Dia da Guatemala... Mas, é claro que a nossa será a mais animada. Este ano, o Brazilian Day será uma festa Rio Comprido-Tijuca-soteropolitana. Eu sou da Tijuca, Jorge é do Rio Comprido e Saulo, de Salvador" (BA), brincou Lulu.

Benjor já tem até encomendas para os shows. O músico é o único que tocará nas duas festas (Nova York e Japão). O sucesso e a popularidade de Benjor são tão grandes no Japão, que um comercial de uma das principais marcas automotivas tem uma música dele na trilha sonora.

"Vou fazer o mesmo show que faço no Brasil, e já sei que certas músicas não podem faltar, como País Tropical, Taj Mahal e Fio Maravilha. Vamos cantar tudo, os sucessos", adiantou.

Lulu vai repetir seu mais recente show, Long Play, e Saulo fecha a noite nova iorquina com os sucessos da Banda Eva.

"O Saulo nos franqueou o palco e, como a última vez que estive com o Benjor foi no Carnaval da Bahia, com o ex-Ministro e sempre cantor Gilberto Gil, acho que acabaremos todos juntos no palco", comemorou Lulu.

O baiano comparou o Brazilian Day ao Carnaval soteropolitano.

"Estou sentindo uma energia baiana neste evento. A diferença é que, no Carnaval, nós passamos com o trio pelo público. Em Nova York, as pessoas ficam paradas nos assistindo. O show promete ser bem explosivo, vão ser muito legais as coisas que ainda não foram combinadas, como uma música que pode ser cantada por nós três. Pode ser que façamos uma homenagem a Dorival Caymmi. Essas coisas são espontâneas, acontecem na hora. Mas, eu já estou com saudade de Dori e eles também", destacou.

Fila de voluntários, no maior feriado dos Estados Unidos, todo mundo quer trabalhar. André Dias contou que a polícia de Nova York faz questão de colaborar no evento.

"Eles disputam as vagas. A PM quer estar toda na festa, todo ano tem excesso de oferta. Eles querem ver o show e conhecer as brasileiras. Muitos deles já se casaram, depois dos shows", contou André.

A transmissão da festa, provavelmente toda em HD, deverá ter ainda videografismo. O som vai se propagar por toda a extensão das dez ruas que cortam a Sexta Avenida. Do Brasil, sairá uma equipe de quase 200 pessoas, incluindo as bandas, os artistas, produtores e equipe técnica.

A polícia de Nova York fechará as ruas à meia-noite, e toda a produção deverá estar pronta até às 6h da manhã, para que a passagem de som comece às 7h.

História

Foi em 1984, que o brasileiro João Matos, radicado nos Estados Unidos, reuniu uma turma de amigos na Rua 46, conhecida como Little Brasil, e começou a comemorar com os conterrâneos, no feriado do trabalho. Depois de 20 anos, a festa cresceu e se mudou para a Sexta Avenida, considerada a "Avenida das Américas".

No ano passado, já com o apoio da Globo - que passou a transmitir o evento ao vivo, em 2006 - o Brazilian Day contou com mais de 1 milhão de pessoas. Considerado a maior festa brasileira fora do país, o evento leva uma multidão para a Sexta Avenida. Com música, produtos e comidas típicas, o povo celebra a cultura brasileira em terras estrangeiras.



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