Arrependido e envergonhado de seu erro

Por: Vera Jardim

Foto: Divulgação

04/05/2008 | 23:25

Ronaldo elegeu o Fantástico, da Globo, para falar pela primeira vez sobre o escândalo que o envolveu com travestis, no último domingo (27).

A entrevista, exibida na noite deste domingo (3), foi realizada pela jornalista Patrícia Poeta, em Angra dos Reis, litoral carioca. Foi lá que o craque se refugiou, desde o dia 28 de abril, depois de uma noitada tumultuada num motel da Barra da Tijuca, que acabou numa delegacia de polícia.

No bate-papo, Ronaldo admitiu ter cometido uma grande besteira em sua vida, se disse arrependido e pediu desculpas.

Ele ainda assegurou não saber que se tratava de travesti, a pessoa que pegou na praia para fazer um programa. O craque, que garantiu ser heterossexual, disse também que esse “erro” irá manchar sua vida pessoal para sempre, mas a profissional não.

“Fiz uma grande besteira na minha vida pessoal. Todos nós estamos sujeitos a errar. Eu cometi um grande erro de buscar essas pessoas”, disse o jogador.

“No local (motel) comprovei que se tratava de travesti e tentei concluir dali, para voltar para casa, já arrependido daquela escolha. Não consegui. Daí a extorsão”.

Ainda na entrevista, o craque deixou claro estar envergonhado de ter que expor assim sua vida pessoal:

“Foi um ato isolado, estúpido da minha parte, estou arrependido e envergonhado (...). Chorei muito, uma vergonha incrível, uma decepção”...

Ao ser questionado por Patrícia Poeta se chegou a transar com o travesti, Ronaldo foi categórico, afirmando sua sexualidade:

“Em nenhum momento, sabia que era travesti. Sou heterossexual e disso ninguém tem dúvida. (...) Não tive relação, não. Porque, na hora que percebi que não era o que eu buscava, tirei meu time de campo”.

Sobre a acusação feita pelo travesti Andréia de que usou droga, ele também foi categórico:

“Nunca usei droga, sou um atleta, apesar de minha lesão. Quis pagar o que tinha combinado, duas aceitaram e a terceira, não. Pediu uma quantia absurda, para não sair na imprensa”.

Quanto à namorada, a estudante Maria Beatriz Antony, Ronaldo contou que, apesar de tudo, ela o apoiou:

“(...) Quando contei tudo a ela, a primeira reação foi me xingar, mas depois me apoiou. Para ela, é difícil perdoar, mas ela me apoiou”, disse ele, revelando ainda que teve uma pequena briga com Maria Beatriz, antes de sair para a noite:

“Tá certo que eu tinha brigado com minha namorada, mas foi uma briga boba”.

A repercussão mundial que o escândalo teve, segundo o craque, não prejudicará seus contratos com empresas internacionais. Mas, ele admite que haverá uma eterna mancha em sua vida pessoal.

“Sofri isso a minha vida toda, como jogador bem-sucedido, de ser colocado em outra esfera. Mas, sou um ser humano, tenho minhas fraquezas, meus medos, tudo o que uma pessoa normal tem".

“Isso vai marcar minha vida pessoal para sempre, mas nada tem a ver com minha história profissional. Isso não vai atrapalhar meus contratos com empresas ou como embaixador da Unicef”.

Ronaldo também falou sobre seu futuro como jogador. O contrato com o Milan, da Itália, termina em junho e ele espera se recuperar da lesão, para negociar seu passe com outro time. Mas, não escondeu que seu grande sonho é jogar no Flamengo:

“Acho que as portas do Flamengo podem estar abertas para mim, quando eu estiver bom”, finalizou.

 O caso

Ronaldo se envolveu numa encrenca que o levou à 16ª Delegacia Policial, da Barra da Tijuca, na manhã de segunda-feira (28). Na ocasião, alegou ter sido chantageado por um travesti que, por outro lado, acusou o craque de não ter pago pelo programa que fez com ele. A confusão começou no Motel Papillon.

O delegado Carlos Augusto Nogueira contou, em entrevista à imprensa na DP, que Ronaldo deu a seguinte versão para o caso: após assistir ao jogo do Flamengo x Botafogo, na noite de domingo (27), o craque decidiu se divertir um pouco, indo para uma boate, na Barra.

No caminho, ainda segundo o depoimento dele, pegou uma prostituta (que achava tratar-se de mulher) no calçadão da praia. Em seguida, foi com ela para o Papillon. Chegando ao local, a suposta prostituta disse que chamaria mais duas amigas para o programa.

Quando chegaram, Ronaldo viu tratarem-se de travestis. Ele então reagiu, avisando que não era a dele. Os travestis teriam chegado a dizer que iam pegar cocaína na Cidade de Deus e, assim, Ronaldo não sentiria a diferença. Daí, veio a discussão.

Ronaldo decidiu pagar R$ 1 mil a cada um, para livrar-se deles. Porém, um dos travestis teria chantageado o jogador, pedido R$ 50 mil, para não levar o caso à imprensa. Ronaldo disse que não daria, oferecendo mais US$ 600 apenas.

O travesti não aceitou, começando então  uma nova discussão. Na confusão, o pessoal do hotel chamou a polícia, que levou todo mundo para a delegacia.

Já a versão dada na delegacia pelo travesti André Luis Ribeiro, conhecido na noite como Andréa Albertini, é que Ronaldo teria lhe pedido para comprar drogas. Na volta, como não teria conseguido, o jogador se negou a pagar.

Em conversa com jornalistas, o delegado Carlos Nogueira defendeu Ronaldo, dizendo que ele não estava alterado, ao prestar depoimento, e o travesti acabou fugindo da delegacia.

Ronaldo, no mesmo dia, se refugiou em Angra dos Reis, litoral do Rio. Já a noiva dele, a estudante Maria Beatriz Antony, terminou o relacionamento de um ano. Ela deixou o apartamento do jogador no Rio e foi para a casa dos pais, em Brasília.



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