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Por: Bruno Athayde 05/04/2008 | 12:41
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O crime que comoveu e indignou o país, também causou reações entre os famosos. Leia a carta, na íntegra: ("Vamos gritar juntos! Quantas Isabellas vamos perder, até entendermos que violência e educação não combinam? Ou: 'Assim ele vai aprender mais rápido. Basta eu falar uma só vez, e serei obedecido. Ele vai saber quem manda aqui'. Há pouco mais de um século, um ser humano podia ser dono de outro ser humano. Até quando vamos nos comover, falar no assunto durante dias, e depois continuar sabendo que situações como essas continuam acontecendo, “invisíveis”, até que uma outra manchete de jornal nos deixe indignados? O caso No dia 29 de março, sábado, às 23h30, Isabella Nardoni caiu do sexto andar do prédio do pai, onde passava o final de semana, na zona norte de São Paulo. Neste sábado (5), aniversário de Ana Carolina, mãe de Isabella, foi realizada a missa de sétimo dia.
Xuxa, a Rainha dos Baixinhos, escreveu uma carta, publicada na página de Opinião do jornal carioca O Globo neste sábado (5), sobre a morte da pequena Isabella, de cinco anos.
No texto, Xuxa mostra indignação e pede o fim da violência.
Será que não é o momento de as pessoas perguntarem se realmente educar é bater?
Se precisa bater para educar? Será que é necessário agredir, machucar, tirar sangue de uma criança, para educá-la?
Ser o “responsável”, dá direito a bater na criança, com a frágil desculpa de que se está educando?!!!!
Assim como outros comportamentos absurdos foram mudados (a escravidão, bater em mulher), está na hora de mudar essa “cultura” de que o pai, a mãe ou o responsável tem o direito de bater em uma criança, para educá-la.
A violência dentro de casa pode começar num olhar raivoso, berros, um tapinha, um empurrão, um beliscão até chegar à tragédia de atirar uma criança pela janela.
É nesse mundo violento que queremos viver? Até quando?
O pensamento de algumas pessoas é que, 'como eu apanhei quando criança e estou aqui - dizem alguns, com orgulho -, vou repetir a fórmula: também baterei em meus filhos para educá-los'.
Minha vontade é gritar: Quem deu esse direito aos adultos? E por que algumas pessoas continuam acreditando nisso? Esse “direito” de adulto bater em criança deveria ser cassado. É absurdo! É animal! É irracional!
Até os animais protegem os seus filhotes. Por que alguns seres humanos, racionais, não protegem os filhotes da nossa espécie?
É um assunto que tem que ser levado a sério. Temos que trazer esse tema para o debate nacional. Criança não é “coisa”, é pessoa, e, como pessoa e cidadã, precisa ser respeitada e protegida, precisa ser vista como prioridade, prioridade absoluta.
Há alguns anos, os maridos batiam nas mulheres sem que nada acontecesse. Era "normal". Hoje, é crime bater numa mulher.
A tragédia de Isabella causou comoção nacional, ganhou todas as manchetes de jornais, televisão, rádio, internet. Muitas outras histórias trágicas acontecem todos os dias por aí, e não ficamos sabendo. São invisíveis?
Neste Brasil tão grande, quantas Isabellas já foram vítimas de violência e as pessoas não sabem?
Quantos pais, mães, responsáveis, com raiva por situações de trabalho ou por falta dele, com uma fechada no trânsito, brigas com namorado (a), marido (mulher), estressados com o dia-a-dia, descontam nos filhos?
E vão continuar descontando, enquanto essa violência invisível não for recebida por toda a sociedade como crime.
Quando uma criança bate em outra, os pais dizem para não bater, porque é falta de educação, é violência e tem que conversar com o amiguinho... Mas, como pai e como mãe, podem bater e dizer que é para educar???????
Como pode uma criança se defender de uma pessoa com o dobro do seu tamanho? Como se proteger e se defender daqueles que lhe deram a vida e, teoricamente, deveriam protegê-la?
Por que nossas crianças estão aprendendo dentro de casa o que é violência, enquanto deveriam estar aprendendo o verdadeiro significado do amor?
Quando ouvimos uma criança pedindo socorro ou sendo agredida por seus pais, temos que cruzar os braços?
Precisamos proteger nossas crianças com uma lei.
Vamos gritar juntos! Violência de pai, mãe e responsáveis contra criança não é educação, é crime"!
Xuxa Meneghel)
A menina chegou a ser socorrida, mas morreu pouco depois. O pai da menina e a mulher foram à delegacia, onde disseram que alguém havia jogado Isabella do sexto andar, mas não sabiam informar o autor do crime.
No dia seguinte, familiares passaram o dia na delegacia prestando depoimento Os depoimentos duraram o dia todo e a polícia falou, pela primeira vez.
O delegado afirmou que se tratava de homicídio e não acidente, porque a menina não sofreu uma queda acidental.
Segundo a polícia, alguém rompera a tela protetora da janela e jogara a criança.
No dia 31 (segunda-feira), a pequena Isabella foi enterrada.
Na investigação da polícia, foram ouvidas diversas pessoas. A polícia ouviu o primeiro policial a chegar ao prédio, logo depois da morte, dois ex-vizinhos e três vizinhos da família.
Eles contaram que ouviram gritos. O advogado da família e o delegado tiveram interpretações diferentes sobre os depoimentos.
Nos dias seguintes, diversas versões foram divulgadas. A justiça decretou prisão do pai e da madrasta. No entanto, os dois só se entregaram depois.




