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Baseada no romance de Lygia Fagundes Teles, Ciranda de Pedra, novela de Alcides Nogueira com direção de Denise Sarraceni, estréia dia 5 de maio, no horário global das 18h.
A trama é norteada em duas histórias fundamentais, tendo como cenário a São Paulo de 1958: o triângulo amoroso entre Natércio (Daniel Dantas), Laura (Ana Paula Arósio) e Daniel (Marcello Antony) e o rito de passagem da adolescência para a vida adulta, da jovem Virgínia (Tammy Di Calafiori), filha biológica de Daniel e criada por Natércio.
A história de Laura é praticamente esmagada pela prepotência do marido, que não é capaz de entender a doença dela. Laura encontra apoio e amor incondicional - e que se tornará casto por muitos anos - de outro homem, Daniel, por quem ela se apaixona.
Paralelamente, está a história da Virgínia (Tammy Di Calafiori), fruto dessa relação de amor proibido. A menina está cumprindo seu rito de passagem, a saída da adolescência e a entrada na maturidade, período que normalmente é muito dolorido.
Virgínia está descobrindo sua sexualidade, seus amores, sai de uma estrutura aristocrática para conviver com outra de classe média, que é mais liberal. Ela se apaixona por Eduardo (Bruno Gagliasso), de classe mais baixa, e vai sofrer com o fato dele ser namorado de sua grande amiga Margarida (Cléo Pires).
Se, no romance original, a história se passa em 1947, na obra de Alcides Nogueira a data é 1958. Para o autor, esse é o mais dourado e emblemático dos anos para o Brasil. Apesar de não se tratar de uma novela épica, e sim de uma história das pequenas tragédias e laços de ternura que ligam os seres humanos, é nesse pano de fundo que transcorre o cotidiano dos personagens de Ciranda de Pedra.
Na política, JK modernizava o país, prometendo o avanço de 50 anos em cinco; entusiasmava empresários com a construção de Brasília, que seria inaugurada dois anos depois, com arquitetura de Oscar Niemeyer.
Na economia, com a implantação de indústrias como a automobilística e da Usina Hidroelétrica de Furnas, o país passava a ter uma nova relevância no mundo das transações comerciais.
Na cultura, nascia a Bossa Nova e a cena teatral se agitava, com a luta do Teatro de Arena e o Oficina por uma dramaturgia voltada para as questões do povo brasileiro.
O triângulo amoroso
Bastante jovem, Laura (Ana Paula Arósio) casou com Natércio (Daniel Dantas) por amor. Desse casamento, que a fez feliz por um tempo, nasceram Bruna (Anna Sophia Folch) e Otávia (Ariela Massotti).
A sensibilidade de Laura contrastava com o pragmatismo e a ambição de seu marido Natércio Silva Prado, advogado e empresário de sucesso, filho de uma tradicionalíssima família quatrocentona de São Paulo.
Apesar do amor que sentia pela esposa, ele não foi capaz de compreendê-la. O advogado só via as cifras de seus investimentos e se dedicava à carreira jurídica, ao mesmo tempo que se afastava do afeto que sentia por Laura, transformando-a em mais uma de suas ferramentas profissionais.
A estabilidade emocional de Laura começou a ruir, e acabou levando-a a conhecer o grande amor de sua vida, Daniel (Marcello Antony). Médico com especialização em neurologia, Daniel Freitas foi contratado por Natércio para cuidar dos distúrbios emocionais de Laura, que a faziam ter crises constantes, ora tranqüila e simpática; ora irascível e nervosa.
A atenção com que o médico cuidava de Laura, fortaleceu-a, e os dois se apaixonaram. Desse amor nasceu Virgínia (Tammy Di Calafiori).
A relação foi esmagada pelo advogado, que ameaçou tirar a guarda das filhas de Laura, caso ela o abandonasse. Os três, portanto, fizeram um pacto que determinava que o iminente escândalo seria abafado e a caçula criada como uma Prado, impedindo que o médico reconhecesse a paternidade da menina.
Laura e Daniel sublimaram a paixão e o desejo que sentiam um pelo outro, mantendo, desde então, uma relação de cuidados médicos e de um amor profundo e casto, que os uniria para sempre.
Natércio, tornou-se um homem cada vez mais prepotente, dilacerado por não saber como lidar com seu amor e sua obsessão por Laura.
A volta por cima
Em 1958, Laura está há seis meses internada à força por Natércio, em uma casa de repouso, e proibida de ver as filhas. Virgínia já é uma moça. Dr. Daniel divide seu tempo entre os atendimentos no posto de saúde e em comunidades carentes, mas sem deixar faltar nada à Laura, sempre cuidando dela com muita atenção.
O retorno de Laura à mansão dos Prado é minuciosa e triunfalmente planejado por Natércio. Ele organiza uma ostensiva festa de aniversário para a esposa, na qual pretende fazer diversos e importantes contatos profissionais. Antes do grande dia, entretanto, prende Laura no sótão da mansão, lindamente decorado. Lá, ele mina suas forças e a submete a mais uma chantagem, para que aceite a festa.
Laura sucumbe às pressões e às diversas situações impostas pelo marido por um tempo, até decidir tomar as rédeas de sua vida e lutar por sua felicidade. Ela abandona seu casamento de aparências e sua linda casa, no Jardim Europa, e vai morar no sobrado de Daniel, na Vila Mariana.
Família Cassini
A família Cassini está muito próxima dos Prado. Cícero (Osmar Prado), filho de imigrantes italianos que enriqueceu com trabalho e honestidade, é o único amigo de Natércio. Dono de uma metalúrgica em sociedade com o advogado, ele é rude, mas tem um coração enorme e valoriza a família, acima de tudo.
Isso o leva a discordar brutalmente da maneira como o amigo trata Laura. Julieta (Mônica Torres), sua esposa, é a melhor amiga e confidente de Laura. Sofre com as crises dela e, principalmente, com os desmandos de Natércio, já que foi ela quem o apresentou à amiga.
Criou os filhos Conrado e Letícia (Paola Oliveira) muito perto de Bruna, Otávia e Virgínia. Julieta morrerá misteriosamente na trama, o que agravará ainda mais a doença de Laura.
Vila Mariana
É o bairro da classe média e dos trabalhadores que acreditam no progresso do país, e que São Paulo é a terra das oportunidades. É neste bairro que Laura e Virgínia encontram amizades fraternas. Conhecerão esse ambiente, ao se mudarem para o sobrado de Daniel.
É nele que o cabeleireiro e peruqueiro Seu Memé (José Rubens Chachá) vive às turras com sua sogra Dona Ramira (Walderez de Barros). A esposa Alzira (Clarice Niskier) que, apesar de amar o marido, é obediente à mãe, é uma pasteleira de mão cheia.
Completando a família, as irmãs Elzinha (Leandra Leal) e Margarida (Cléo Pires) são os opostos. A primeira é uma coquete que só pensa em dar o golpe do baú. Tem uma filha pequena, que ama muito, mas é criada como sua irmã caçula, para não desonrar a família.
Margarida é o avesso. Extremamente responsável, leva sua vida de professora primária com muita dedicação, e mantém seu coração bem longe de qualquer conta bancária.
