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As principais características do figurino de Ciranda de Pedra são a sobriedade e a sofisticação, típicas de São Paulo. Para as mulheres, estava na moda o balonê, conhecido como ‘bolinho de noiva’, e a saia godê ou de corte reto, com a cintura bem marcada.
Os homens usavam muito paletó, gravatas finas e discretas e pulôver. Uma moda mais descontraída, inspirada na rebeldia de filmes como os de James Dean e Marlon Brando, com calça jeans, camiseta e jaqueta, também está sendo usada para vestir personagens mais jovens, como Afonso (Caio Blat) e Peixe (André Frateschi).
Para a figurinista Gogóia Sampaio, os anos 50 são os anos da vaidade. Ela usou como uma das fontes de pesquisa a Revista Cruzeiro, na qual está explícita a preocupação com a beleza, através de anúncios de esmaltes, batons e cremes.
O mercado da vaidade atingia inclusive os homens, que tinham, por exemplo, o costume de fazer as unhas. A alta-costura também fazia muito sucesso.
Rô Gonçalves destaca que a moda inverno atual, tem uma tendência forte daquela década, mas que é uma releitura.
“A silhueta é a similar, mas o comprimento é diferente, o tecido tem um traço mais fashion, mais moderno. Por isso não pudemos aproveitar”, conta a figurinista.
A solução foi mais uma vez procurar os brechós, porém apenas para copiar a modelagem, já que a conservação das roupas em geral é precária.
A maior dificuldade foi o que Rô chamou de “a batalha de tecidos”. Hoje, os tecidos são predominantemente sintéticos e os nobres, usados para a alta-costura, estão cada vez mais difíceis de ser encontrados. Os sapatos deram menos trabalho.
“Há uma grande variedade no mercado, de diferentes épocas. Temos o scarpin, um clássico que continua até hoje, e também é fácil achar sapatos no estilo Chanel”, conta Rô.
O figurino de Laura foi todo inspirado nos áureos tempos da década de 50. O Rio de Janeiro ainda era a capital federal, mas São Paulo concentrava o glamour e a movimentação do dinheiro.
Já a personagem Elzinha, de Leandra Leal, é uma coquete super vaidosa, que sonha com um casamento rico. Para a caracterização, Leandra clareou os cabelos com um tom louro bem claro.
Os homens também tinham lá seus momentos de Narciso. Seu Memé, de José Rubens Chachá, é a personificação dessa vaidade masculina. Dono de um salão de beleza e um dos primeiros a assumir que usa laquê, ele se considera um “artista capilar” e vive experimentando suas misturas de tinta no próprio cabelo.
