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Suavidade e urbanidade foram as duas principais características trabalhadas pelas equipes de direção e produção.

A equipe de cenografia, composta por May Martins, Fumi Hashimoto, Fernando Schmidt, Valéria Caldas e Carlos Eduardo Magalhães, buscou uma composição que não pendesse para nenhum dos extremos: nem a suavidade silvestre, nem a dureza da cidade grande.

Portanto, a elegância da palheta de cor usada, em tons de pastel, não tirou o foco da modernidade de São Paulo, que há 50 anos já era a décima maior cidade do mundo.

Muitas cenas foram gravadas em locações paulistas, como o Parque do Ibirapuera, com a arquitetura de Oscar Niemeyer, a Praça da Sé e a Rua Berta, na Vila Mariana, com seu conjunto de casas modernistas.

Outras estão sendo gravadas na cidade cenográfica construída na Central Globo de Produção, que reproduz o centro de São Paulo e a Vila Mariana em 6 mil metros quadrados.

Os moradores da Vila Mariana pertencem, majoritariamente, à classe média, e acreditam no progresso e em São Paulo como a terra das oportunidades.

É lá que fica a Pensão da Aurora, que abriga migrantes dos quatro cantos do país e descendentes, entre outros, de japoneses e espanhóis, em busca de um lugar ao Sol.

“As pessoas se educavam, para ter uma chance melhor de trabalho, e o futuro estava ali. Não havia ainda aqueles bancos de miséria, que foram surgindo com a industrialização".

"Era um bairro mais pobre, demorava-se um pouco mais para chegar ao trabalho, mas o bonde ia até lá. Era um universo digno e esperançoso de pertencer a esse grande Brasil moderno”, define a cenógrafa May Martins.

A Vila Mariana é um bairro mais jovem e que foi crescendo com uma arquitetura modernista, com conjunto de casas e sobrados, como o do médico Daniel (Marcello Antony).

O cenário do interior da casa do personagem possui curvas e um desenho característico do estilo. Já a arquitetura do centro de São Paulo é uma mistura do velho com o novo, onde construções do início do século XX convivem com outras mais neoclássicas.

Nos ambientes montados no estúdio, a mansão dos Prado chama atenção pelo requinte. Apesar de ser a casa de Laura, que é muito sensível, o espaço é a expressão do poder, do dinheiro e da ambição que Natércio representa, emblematicamente. A palheta de cores é fria, com muitos tons de azul, e a decoração é clássica.

Natércio e Daniel acreditam na modernidade. O médico se especializou em neurologia, possui olhar do progresso, mas voltado para o ser humano.

Já o advogado e empresário enxerga o progresso como uma conta bancária, de forma absolutamente materialista. Essas características se refletem em suas casas.

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