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Ainda sobre Caminho das Índias

O que mais me perguntam, ultimamente, é se na Índia as coisas são como a novela está mostrando. Na minha opinião, os atores, direção e todo o contexto pegaram o espírito da coisa, mas tem alguns detalhes que um indiano nunca faria. Por exemplo: apagar o incenso com um sopro, pois o fogo é um semideus. Eles consideram ofensivo cheirar um incenso ou uma flor, antes de oferecer à divindade. A novela mostra a classe de comerciantes (Varsha), e no comércio pode mentir. Os indianos dizem que mentir para fazer negócios não acarreta karma. Acho que é por isso que nosso GURU não aprecia nosso envolvimento com comércios em geral.

O sacerdote brahmane que a novela está mostrando é fajuto, e isso está infestado na Índia. A cada ano sinto mais diferença. É muito claro como os ocidentais estão influenciando a Índia, e a tradição está enfraquecendo a olhos vistos. A religião virou um grande comércio, mas ainda há lugares que não foram contaminados. Esses lugares são sagrados e têm peregrinação constante. Para visitar um desses lugares, a gente deve se orientar antes de ir, pois cometer ofensa é algo grave para o avanço na vida espiritual.

Fiquei horrorizada, dessa última vez que fui a Nova Deli, e decidi tomar um lanche no Knought Place, no centro comercial da cidade. Tinha poucas opções de comida vegetariana e poucos doces sem ovos. Nas grandes cidades, não se vê quase nada de espiritualidade, apenas um grande comércio e uma luta pela sobrevivência.

A maioria dos ashrans já virou negócio, e achar um local para praticar Yoga seriamente ou um Bhamane fidedigno é quase impossível.

Mesmo não mostrando a espiritualidade da Índia, a novela mostra a educação e como os mais velhos são respeitados. Uma mulher, quando casa, deve obedecer à sogra. Se ela souber dobrar o ego e ficar submissa, só terá a ganhar, porque a mãe sabe como agradar seu filho e vai se empenhar em ensinar à nora. Nunca, jamais, em hipótese alguma, uma nora deve ser grosseira com a sogra. Honrar pai e mãe tambem é lei. Estou super de acordo! Nunca levantei minha voz para meus pais; enquanto vivi com eles, fui obediente e honrá-los vem da alma.  Mesmo não sendo indiana, para sogro e sogra também falo amém. Faz muito tempo que decidi que assim faria, pois me pareceu inteligente e quando um não quer, dois não brigam. Tenho uma essência de perfume que amansa sogra e nunca precisei usar. Procuro nunca irritá-la e, se ela estiver nervosa, eu preparo um milk shake de chocolate com diazepan e  falo bem dos filhos dela. 
 
Como agiremos no dia-a-dia, deve ser decidido e programado, senão ficaremos a mercê de acontecimentozinhos e briguinhas de egos, que tiram quase toda nossa energia. No Kama Sutra ( livro hindu que ensina a arte de conquistar ), tem um capítulo que fala das 64 artes que uma mulher deve saber, para o marido não se interessar por outra e voltar todos os dias para casa. Por ex: cozinhar e saber colocar bem uma mesa. Enfeitar a casa com arranjos de flores; saber dançar, cantar, ensinar o papagaio a falar o nome do marido, ter noção de massagem, idiomas, astrologia e de diferentes costumes e povos etc...

Apesar das regras sociais serem de repressão quanto à espontaneidade das mulheres, dentro da casa tudo é muito alegre, colorido e amoroso. Nunca conheci na Índia uma mulher separada do marido, e elas sempre se preocupam em se arrumar bonitas para recebê-los.
 
Todas as casas na Índia têm um espaço para oração e sempre oferecem o que vão comer no altar, antes de saborear. Para cozinhar, se banham, não comem enquanto cozinham, não falam nada desagradável e, lógico, não comem animais assassinados. O usual cheiro das casas ocidentais de bife com cigarros, nem pensar! As casas indianas têm um cheiro de temperos com flor de laranja, sândalo e alegria. Na Índia, tira -se os sapatos para entrar, porque  na rua tem catarro, excremento etc. E, se você entra com os sapatos, pisa no tapete, depois senta no chão e tal, vai ficar tudo contaminado.

Bom, gente, por hoje é isso... um pouquinho dos costumes indianos.

Tudo de bom para vocês

Regina Shakty