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No ocidente, quando falamos em sedução, pensamos em lindos seios, bocas insinuantes e pernas torneadas. Aqui na Índia, sedução significa deixar um homem escravizado pelo seu encanto. Asism, os homens sucumbem à voz doce de uma mulher e seu olhar tímido e envergonhado, diante da presença masculina. Enfim, nesses anos todos que venho para Índia, nunca conheci uma mulher separada de seu marido, e vejo que elas os têm como sagrados e absolutamente necessários. Se ele não der ordens, elas entram em depressão. As indianas andam com os cabelos presos e só os soltam, na intimidade. Lógico que hoje, em dia, algumas indianas são criadas na Europa e Estados Unidos, e existem aquelas que se rebelam contra a tradição. Algumas vezes vejo indianas de jeans... O índice de estupros com ocidentais cresce há cada ano, e a mulher estuprada não é tratada como vítima e, sim, como causadora de um grande problema... isso é o fim! A mulher que ri um pouquinho mais alto ou tenta dar opinião, corre perigo. Se alguém a vir conversando com um monge de roupa cor açafrão, olha feio. Enfim, mulheres aqui representam um problema. Algumas turistas andam de shorts, sozinhas e os homens da Índia consideram isso um insulto aos costumes. Nos jornais de domingo, podemos ver anúncios de pais oferecendo filhas, filhas procurando maridos e maridos procurando mais uma esposa, de forma séria. Eles levam isso tudo muito a sério. O esposo é tão importante para a indiana, que até pouco tempo, quando ele morria e o corpo ia para o crematório, a esposa entrava na fogueira e se incendiava junto com o defunto. Isso era normal e dizem que ainda existe. Para vocês imaginarem a dimensão da diferença cultural que um ocidental vive, quando vem para a Índia e convive por um tempo com o povo daqui. Se isso é bom ou ruim, não sei dizer. Mas, para mim, é uma informação importante saber que posso escravizar um homem desavisado, falando com ele como falo com meu cachorrinho. Os monges aqui ficam super espertos com as mulheres... Se a gente chega neles e pede alguma coisa gentilmente, eles fogem para longe, gentilmente. E nós, mulheres, cumprimentamos os monges colocando a cabeça no chão e sem olhar para seus olhos, procurando poupá-los. Se imaginarmos o corpo do avesso, com suas entranhas e tripas caindo, realizaremos que esse corpo não é assim tão atraente, e as relações baseadas em atração física nos levarão inevitavelmente à ansiedade. Se você achar na rua um saco cheio de cabelos, unhas, peles e intestinos, provavelmente não se sentirá atraído por esse material. O que nos atrai numa pessoa é a energia interna do corpo, a alma... Mas, a verdade é que nos iludimos e confundimos tudo, criando no planeta uma população de malnascidos e desaventurados. Aprendi essas coisas nas aulas de Bhakti Yoga. Me inspirei nessa história de anúncio e fiz um de brincadeira. Acho que ficou legal. Se eu estivesse procurando marido, esse seria meu anúncio: Procura-se Estou procurando um homem que não se importe com meu peso nem com minha condição sócio-financeira. Estou querendo um homem que sinta vontade de me abraçar e me proteger das misérias da vida. Estou procurando um homem que veja as marcas do meu rosto como feridas de guerra, marcas de uma guerreira vitoriosa. Que tenha vontade de me abrigar, aquecer e dizer que vai me proteger. Um abraço a todos, Regina Shakty
A maior arma das mulheres indianas é o comportamento casto. Parece que isso encanta os homens e elas sabem como fazê-lo. A mulher oriental seduz pela doçura, jeitinho, timidez e temperamento servil.
As mulheres indianas consideram seus maridos como Gurus, e seus desejos são ordens a serem cumpridas. As moças se casam muito jovens. Aos 21 anos, já são consideradas numa idade avançada para casar. O ideal é casar com 14,15,16... com 21, normalmente elas já tem uns três ou quatro filhos. Isso faz parte da cultura e considera-se que, se a mulher logo cedo se ocupar com marido e filhos, não se perderá na luxúria.
Casar é uma coisa fundamental, na cultura indiana, e a família da moça deve dar um dote ao rapaz que, a partir de então, passa a ser seu dono. Por isso, nascer mulher aqui é meio complicado, para não dizer uma infelicidade. Se pudesse escolher nascer mulher ou vaca na Índia, sem dúvida alguma eu iria preferir ser vaca.
Me lembro que, há muitos anos, aluguei uma casa em Varanasi, aqui na Índia, e a filha da proprietária me disse que ia casar. Eu perguntei onde estava o noivo, porque nunca tinha visto o rapaz. E estava morando há algum tempo na casa. Ela me respondeu que não o conhecia, que era casamento arranjado... Eu questionei: e se você não gostar dele? Ela respondeu: 'Como eu não vou gostar, se foi minha mãe quem escolheu'?
Muitos casamentos são arranjados, levando em consideração a religião dos noivos, posição social, condição financeira e vários outros detalhes que, com o tempo, se tornariam obstáculos para o bom entendimento e convivência pacífica. Considera-se também o mapa astrológico e opinião do conselheiro da família.
As mulheres jamais, em hipótese alguma, chamam a atenção de seus maridos ou falam de maneira rude com eles, em público.
Andar de mãos dadas, nem sonhar... mulher anda com mulher e homem com homem. É normal vermos homens de mãos dadas e os casais nunca demonstram intimidades, em público.
Se algum homem quer fazer sexo fora do casamento, procura uma prostituta, profissão legalizada e considerada útil para não se quebrar um matrimônio sagrado. Acreditam que, assim, o homem não se envolve karmicamente, porque pagou e não se apaixona. É a paixão que normalmente faz o homem ir embora de casa ou ficar perturbado, dentro do ambiente familiar.
Me lembro quando visitei a famosa e belíssima bailarina Jaya Lakshmi, em New Deli, a cerca de 15 anos. Ela me contou que seu marido adora essa seção do jornal, e vive procurando mais uma esposa.
Casar duas vezes nem sonhar! Uma mulher na minha idade aqui já é bisavó!
A cada ano, posso notar que a tradição perde força. Basta assistir à tevê indiana, para perceber isso. Nas primeiras vezes que vim, só existiam musicais e romances ingênuos. Hoje, já existem os canais por assinatura e suas informações.
Quem vive num ashram de Bhakti Yoga , entrega sua atenção ao GURU. Ele nos ocupará em serviço divino, e nos livrará da luxúria e escravidão que ela representa.
Não precisa ser bonito nem rico, mas muito precioso. Quero sentir por ele vontade de usar minha graça, meu charme e minha shakti.
Estou querendo muito um homem que saiba conviver com a felicidade e, ao mesmo tempo, tenha coragem de se sentar com a dor, sem se mexer para esconder seus sentimentos.
Quem procura, acha. Procuro um homem que sinta a própria alma e não simplesmente acredite em sua existência. Um homem que tenha contato consigo mesmo.
Estou procurando um homem que fique feliz em me encontrar. Esse homem não precisa ter um barco, mas precisa saber navegar pelos oceanos de misérias e oceanos de néctar, deste mundo cheio de insanidades e infinitas possibilidades.
Um homem atento à experiência de existir.
Estou procurando um homem que seja vegetariano e cheio de compaixão. Um homem responsável por seu próprio desenvolvimento e aparência. Quem procura, acha.
Estou procurando um homem que me faça sentir que o resto da minha vida é pouco, que canse minhas idéias e me faça parar e contemplar. Um homem que me faça sentir intermináveis sinais de interrogação e exclamação.
Estou procurando um homem que tire minha pressa e me faça sentir um acesso de loucura, ao contrário. Quem procura, acha.
Um homem capaz de desapontar alguém, para ser verdadeiro consigo mesmo. Que saiba o que deseja e se atreva a sonhar em encontrar esse desejo.
Estou procurando um homem capaz de ficar só consigo mesmo e, nos momentos vazios, goste da sua companhia. Um homem que se sustente no seu íntimo, quando tudo o mais desmorona. Quem procura, acha.
Procuro um homem que já tenha tocado o centro da sua própria tristeza.
Mesmo que tenha sido infiel, seja digno de confiança
Procuro um homem que saiba me dar a mão, sem acorrentar minha alma. Que me aceite como eu sou, sem se ofender com meu jeito de ser.
Da Índia para o Brasil
