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Foram eles que nos recepcionaram aqui em Calcutá, há alguns dias. O amadurecimento é visível. Eles moram aqui faz dois anos, e são servos pessoais de Sua Santidade Srila Bhakti Sundar Govinda Dev Goswami Maharaj. Estou contando isso, porque hoje minha prima Marise decidiu que não queria fazer aula nenhuma, e iria visitar museus, tomar café da manhã num hotel cinco estrelas e comprar alguma roupa de seda pura. Pegou um táxi e foi! Voltou chorando. Chocada. Super sensibilizada. Quase revoltada. Namaste
Sempre que trago alguém para a Índia, fico com o coração na mão, porque tem gente que surta no aeroporto e quer voltar no mesmo vôo. Há cinco anos, eu trouxe um casal belíssimo, super jovem e fashion, e até tentei fazê-los desistir de conhecer um ashram indiano. Eu tinha certeza que eles não agüentariam a austeridade, o calor, a comida super apimentada...enfim.
Assim que vi seu estado, fiquei sensibilizada, porque ela é bem fortona e nunca chora. Então, eu lhe disse: você sabia que a maioria dessas pessoas acha-a muito mal nascida? Que elas não trocariam de vida com você? É isso mesmo....os indianos consideram miserável ter uma concepção corpórea da vida, ou seja, alguém que é educado para pensar que é esse corpo, que deve passar horas decorando esse corpo e não dá atenção para alma. Para o indiano, ser materialista significa ter uma visão material da vida, ou seja, sou esse corpo e não tenho alma. Os indianos acreditam mais
no que não vêem do que no que vêem. Tudo que estamos vendo, vai virar pó, e nossos sentimentos e consciência permanecerão depois dessa vida. Então, eles investem mais nisso...na alma.
Essa sujeira que a gente vê nas ruas da Índia, os indianos vêem na nossa cabeça, na nossa concepção da vida, na nossa falta de Deus. Se você não deseja uma transformação na sua vida, não deve vir à Índia
Nosso Guru está doente, se recuperando de uma pneumonia, mas mesmo assim se preocupa com o bem estar de todos, e nunca perde sua doçura cheia de charme.
Ontem, levantei às 3h15 da manhã, para estar pronta para o arati (primeira reza matinal). Não tinha nenhum ocidental lá cantando, e eu me senti em casa, porque sabia todas as canções e me alegrou muito cantá-las. Tem uma canção que diz : “kali kukura kadhana yadhi chao he”, que significa: ó mente miserável, você é como um cachorro, nessa era de Kali. E assim vai... Essa canção nos mostra como a mente pode tomar proporções insanas, e nos tornar vítimas de nossos próprios pensamentos. Uma mente poluída não consegue saber o que é certo e o que é errado, nem a importância disso. Essas canções se chamam Kirtans, encantam nossa mente e nos trazem conforto mental. A gente começa a cantar, e logo fica com vontade de dançar. Quando eu canto e danço, minha vida acerta o passo. Tudo se encaixa, tudo faz sentido.
Regina Shakty.
