Ah, o Rio de Janeiro! A Hollywood brasileira. Fui passear por lá, esses dias. Conferi o desfile de famosos. No Restaurante Gula Gula, em Ipanema, Cláudia Raia, elegantíssima, de óculos e lenço de seda, conversava com a amiga esperando, pacientemente, a mesa para o almoço.
Simpática, sempre que solicitada, distribuía autógrafos. Na mesa ao meu lado, o atleta Edmundo, sorridente, atende de forma gentil ao apelo da mãe que quer levar para o filho Thales, a assinatura do jogador do Vasco.
O passeio continua pela Visconde de Pirajá, principal avenida do bairro. As vitrines repletas de modelos transados, tudo em liquidação. Uma ótima hora, para dar uma renovada no armário. E assim a gente vai curtindo a vida, olhando em volta, absorvendo o que essa cidade tem de melhor. Tanta gente bonita. Será que eles têm um segredo? O que Cláudia Raia e Edmundo fazem, ainda não sei. Mas descobri, no coração de Ipanema, um consultório freqüentado por estrelas globais do primeiro time. Elas vão até ali se tratar, através da osteopatia.
Ana Paula Ferreira faz parte do primeiro grupo de osteopatas do Brasil. A técnica começou a ser difundida por dois médicos americanos, no final do século XIX. Mas, aqui no país, ganhou força nos últimos anos e tem a concentração maior de especialistas no Rio de Janeiro.
Para os osteopatas, o corpo é capaz de criar seus próprios instrumentos de cura e, se algo não funciona bem, se você sente dor, é porque o seu corpo está realizando um movimento errado.
“Para encontrar essa disfunção, o osteopata usa as mãos”, esclarece Ana Paula. “Não é preciso remédio. A textura da pele, do músculo, como a pessoa realiza determinado movimento, nos permite descobrir de onde vem a dor que um paciente enfrenta e ir direto na causa, não no sintoma”.
Depois da consulta, o próprio organismo, reposicionado vai se livrar da dor.
O cantor Toni Garrido já fez nos shows elogios explícitos à osteopata dele, presidente da associação brasileira de osteopatia, Letizia Maddaluno. Tony tem hérnia de disco. Graças à técnica, evitou a cirurgia.
A cantora Leila Pinheiro pediu uma vez à Letizia, indicação de um profissional na França. Estava em Paris, quando precisou dos cuidados de um osteopata.
“Leila é pianista, solicita muito os membros superiores. Precisa estar com o corpo em equilíbrio, para não comprometer sua atividade. Principalmente no palco, quando é mais exigida”, conta Ana Paula.
O osteopata trata, além de dores de cabeça, pescoço e lombar, cólica menstrual, artrose, doenças relacionadas ao esforço repetitivo (LER), problemas digestivos, funcionais e respiratórios.
O princípio é o de que as partes do corpo são integradas: os músculos, as articulações, os órgãos, a corrente sangüínea, está tudo interligado. Se uma dessas partes não funciona bem, as restantes vão sofrer, causando dor e problemas na saúde. A função do especialista é fazer com que o corpo realize, de forma correta, seus movimentos naturais, interrompidos por estresse físico ou emocional.
A consulta custa em média R$ 200,00 e dura 45 minutos. Ao chegar de uma viagem de avião com o pescoço travado, por exemplo, você pode ficar bom, sem remédio, até 48h depois de uma consulta. Para casos mais graves e dores crônicas, são necessárias mais algumas sessões.
A manipulação é suave. O paciente não sofre com nenhum movimento brusco. Pessoas de todas as idades podem recorrer a um osteopata. Do recém-nascido ao idoso.
É possível também ser atendido por um osteopata pelo Sistema Único de Saúde. O serviço é oferecido grátis, no Centro Municipal de Reabilitação do Engenho de Dentro, zona norte do Rio.
O osteopata Philippe Pailhous compara a técnica ao trabalho de relojoaria: “ São feitos ajustes milimétricos, para obter o controle perfeito do corpo”.
Ele completa, apontando a diferença entre o osteopata e o fisiotepeuta: “O primeiro trata a origem e o segundo, o sintoma. São funções opostas. Ambas importantes, mas com indicações diferentes”.
Para ser osteopata, é preciso ser médico ou fisioterapeuta formado. Os especialistas lutam para que a profissão seja reconhecida pelo Ministério da Educação. Procure um profissional que tenha o registro brasileiro de osteopatas. Outras informações no http://www.registrodososteopatas.com.br/
Adriana de Castro é jornalista e apresentadora de TV

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